Revista GESTÃO PÚBLICA- pag.
93
A REALIDADE DA GUERRA
URBANA
Vânia Moreira
Diniz*
|
Falamos tanta na paz, lutamos, resistimos, pedimos,
imploramos àqueles que podem evitá-la que se humanizem, e não permitam que
milhões de pessoas inocentes sejam mortas, que não façam justiça pelas próprias
mãos ou melhor usando jovens para lutarem, matarem e morrerem.
Mas a verdade é que
estamos lutando pela paz e esquecendo que também estamos em guerra nas ruas, nas
esquinas, nas nossas casas, nos ônibus, nos carros, em qualquer lugar em que
estejamos porque a violência está matando mais do que a guerra.
Os fatos tenebrosos que
vemos aí, exibidos nos meios de comunicação,onde a maldade e frieza fazem dos
seres humanos animais esfomeados e sanguinolentos, devorando a sua presa, é
realmente estarrecedor.
Essas pessoas não podem
ser normais, estão desvairados por um tipo de anomalia cujo vírus é a maldade
insana. Não acredito nessa teoria que por ter sido infeliz na infância, alguém
seja capaz de virar um canibal. Pelo contrário, no meu modo de entender, isso
deveria humanizar as pessoas tornando-as mais compreensivas com outro ser humano
que está sofrendo.
Nós estamos diante de uma
escandalosa guerra e parece até que já nos acostumamos com esse tipo de luta
hedionda.Olhamos, assistimos as notícias como se tivéssemos vendo um capítulo de
novela ou uma peça de teatro. Estarrecidos, mas sem reação e os bandidos ainda
se transformam em figuras famosas quando a mídia passa a falar todo dia em suas
barbaridades e assim muitas vezes acabam se transformando em heróis.
Estamos numa batalha
árdua e me parece que as vítimas são maiores do que na própria guerra. Não há
mais limite para a truculência de seres humanos que se matam nas cidades e ainda
atingem quem não estava nem no meio das rivalidades atrozes que eles
defendem.
A vida está aí com essa beleza da natureza, um planeta maravilhoso que nos foi ofertado onde doentes e acidentados lutam para prolongar seu caminho e, no entanto outros se matam voluntariamente sem pensarem em nada mais do que em agredir, atacar matar, trucidar, maltratar.
Estamos em guerra oficial e extra-oficialmente. É um momento muito difícil em que os jovens morrem e matam, ferem e são feridos e ambas as categorias são dignas de pena. Quem se vai, anula toda a sua estrada ainda no começo e sem apelação, deixa a família estarrecida e desesperada. Quem fica, se for um ser humano realmente, não poderá deixar de levar consigo durante toda a existência, o remorso e o sentimento de culpa que são as sensações mais tristes que alguém poderá suportar.
Precisamos de empregos, de uma vida digna para cada cidadão brasileiro, porque a fome só aumentará a revolta , fazendo com que tenha efeitos nefastos mesmo que nada justifique a violência. Está havendo uma luta contra a fome, eu sei, mas não basta. As pessoas, as famílias, as crianças e os jovens precisam sentir que a esperança de um futuro real e legítimo existe
Estamos em guerra nas ruas de nossas cidades brasileiras, uma guerra atroz, violenta, cruel, tirando a vida de inocentes e de gente que além de tudo fará falta ao próprio país como cidadãos que lutariam, trabalhariam por uma nação mais justa, amena e livre. E, no entanto assistimos a tudo e parece que não temos mais reação, fruto talvez da impotência que transtorna.
Lutemos desesperadamente pela paz, contra a barbaridade que existe nas ruas do nosso país, onde a violência impera, prevalece, frutifica, domina, encontrando guarida na impunidade e complacência diante de bandidos que muitas vezes tornam-se heróis.Os direitos humanos dos presos e dos que praticaram algum crime é alardeado, mas parece que está sendo esquecido o mesmo direito para as vítimas inocentes da guerra urbana que morrem ou sofrem inutilmente e sem esperanças de resgate.
Vânia Moreira Diniz
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=3889
*Vânia Moreira Diniz é escritora,
fundadora do Centro de Treinamento de Línguas em Brasília
É Presidente da Academia de Letras do Brasil do Distrito federal
e autora de vários livros.
*Vânia Moreira Diniz é escritora,
fundadora do Centro de Treinamento de Línguas em Brasília
É Presidente da Academia de Letras do Brasil do Distrito federal
e autora de vários livros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário